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Terapia da Mão

Dedo em gatilho: por que o dedo trava e como tratar

O dedo em gatilho faz o dedo travar, estalar ou ficar preso ao dobrar. Entenda por que isso acontece, quem tem mais risco e como o tratamento com órtese sob medida pode ajudar, muitas vezes sem cirurgia.

08/07/2026 · 6 min de leitura

Escrito por

Anna Laura Sanches Beneduzzi

Fisioterapeuta · Terapia da Mão · CREFITO 325881-F

Fisioterapeuta em Catanduva, dedicada ao cuidado com as mãos, punhos, cotovelos e ombros, com foco em avaliação individual e confecção de órteses sob medida.

Dedo em gatilho: por que o dedo trava e como tratar

Você já sentiu um dedo travar quando tenta esticá-lo, como se ele ficasse preso e depois soltasse de repente, às vezes com um estalo e uma pontada de dor? Essa sensação incômoda tem nome: dedo em gatilho. Apesar de assustar, é uma condição comum e que costuma responder bem ao tratamento.

Por que o dedo trava

Dentro dos seus dedos existem tendões, que funcionam como cordas que deslizam para dobrar e esticar. Eles passam por pequenos túneis, chamados polias. No dedo em gatilho, esse túnel fica mais estreito ou o tendão fica mais grosso, e o deslizamento deixa de ser suave. O resultado é aquele travamento, o estalo e, muitas vezes, a dor na base do dedo. O nome técnico dessa condição é tenossinovite estenosante.

Quem tem mais risco

O dedo em gatilho aparece com mais frequência em alguns grupos, e talvez você se identifique com um deles:

2 a 3%

da população em geral desenvolve dedo em gatilho ao longo da vida.

Fonte: UpToDate e StatPearls, National Institutes of Health

3x

mais frequente em mulheres do que em homens.

Fonte: Cureus, revisão clínica sobre dedo em gatilho

10 a 15%

é o risco em pessoas com diabetes, bem maior do que na população geral.

Fonte: Estudo de coorte, Lund University, Suécia

Além disso, é mais comum entre os 50 e os 60 anos de idade e em quem faz movimentos repetitivos e de força com as mãos, como manicures, costureiras e trabalhadores manuais. O dedo anelar e o polegar são os mais afetados.

Os sinais mais comuns

  • Dedo que trava ou fica preso ao dobrar e esticar
  • Estalo ou sensação de clique ao mover o dedo
  • Dor ou sensibilidade na base do dedo, na palma da mão
  • Um pequeno caroço dolorido na base do dedo afetado
  • Rigidez, com frequência pior pela manhã

Atenção ao dedo que trava pela manhã

É bastante característico do dedo em gatilho o dedo amanhecer mais travado e ir soltando ao longo do dia. Se isso acontece com você, vale procurar uma avaliação, principalmente se você tem diabetes.

Seu dedo trava, estala ou dói ao dobrar? Uma avaliação pode identificar o que está acontecendo.

Agendar avaliação

Como o tratamento com órtese pode ajudar

A boa notícia é que o dedo em gatilho costuma responder bem ao tratamento conservador, aquele feito sem cirurgia, principalmente quando é cuidado no início. Um dos recursos mais eficazes é a órtese sob medida, que posiciona o dedo de forma a dar descanso ao tendão e reduzir o travamento, sem impedir você de usar a mão no dia a dia.

Um estudo com acompanhamento de um ano observou 87% de sucesso em pacientes com dedo em gatilho tratados com órtese sob medida, sem necessidade de nenhuma outra intervenção nesse período.

O que isso significa para você

Para muitas pessoas, usar uma órtese feita sob medida pode resolver o dedo em gatilho sem precisar de cirurgia. É um caminho seguro e vale a pena tentar antes de considerar procedimentos mais invasivos.

Fonte: Journal of Hand Therapy, revisão de casos

Cada caso é diferente. A órtese costuma trazer os melhores resultados nos estágios iniciais e faz parte de um tratamento completo, com orientações e exercícios. Nos casos mais avançados ou que não respondem ao tratamento conservador, pode ser necessário avaliar outras opções, e é a avaliação individual que aponta o melhor caminho para você.

Não espere o dedo travar de vez

Quanto antes o dedo em gatilho é avaliado, maiores as chances de tratar de forma simples e sem cirurgia. Se o seu dedo tem travado, estalado ou doído, procurar uma avaliação logo pode fazer toda a diferença na sua recuperação e no seu conforto para as tarefas do dia a dia.

Referências científicas

  1. Trigger finger (stenosing flexor tenosynovitis). UpToDate.
  2. Jeanmonod R, Tiwari V, Waseem M. Trigger Finger. StatPearls, National Institutes of Health.
  3. Persson Löfgren J, et al. Diabetes Mellitus as a Risk Factor for Trigger Finger, a Longitudinal Cohort Study. Lund University, 2021.
  4. Valdes K. Long-term efficacy of orthotic devices for trigger finger. Journal of Hand Therapy, 2012.

Escrito por

Anna Laura Sanches Beneduzzi

Fisioterapeuta · Terapia da Mão · CREFITO 325881-F

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